Música e Ocultismo no Século XXI
by King Wyrd Albiorix Dclxvi on Monday, April 23, 2012 at 5:36pm
Século XXI mais precisamente 08 de novembro do ano de 2008 E.V.1
Hoje mais do que nunca sentimos na pele o contexto perturbador, inóspito e desolador em que vivemos. Mais do que nunca o pessimismo e a inexorabilidade percorrem a mente de milhões de pessoas causando uma insatisfação e constante angústia, que acaba por se refletir nas mais variadas manifestações culturais/artísticas e até mesmo religiosas.
Mais do que nunca o homem se vê cercado de questionamentos, tão antigos quanto sua origem, indissolúveis e que em grande parte ainda permanecem inalterados.
Mediante a um crescimento desenfreado, caótico, superficial e ignóbil, caminhamos rumo a nossa própria extinção e de nosso planeta. Consumindo e destruindo os parcos recursos naturais que ainda nos restam e que logo em breve serão eliminados pela ignorância e bestialidade humana.
Apesar de inseridos nesta mesma situação apocalíptica, muitas pessoas imbuídas de uma visão de mundo diferenciada da grande massa, buscam através de sua individuação uma perspectiva mais plena e encontram nas manifestações artísticas, intelectuais e religiosas este aparato libertário. Elas trabalham de maneiras variadas a expressão e seus universos pessoais, muitas vezes num contexto póstumo, isolado e obscuro. Isso é ainda mais freqüente quando tratamos de cultura “underground” que acaba por envolver uma mentalidade aguçada, crítica e revolucionária...
Assim sendo, temos na música um veículo da mente subconsciente, atuando sobre esferas sutis, principalmente quando praticada por seres versados no ocultismo, como é o caso de alguns projetos e bandas existentes, tanto em nosso país como no restante do mundo.
Através de um entendimento mais apurado musicalmente, podemos definir determinados sons em distâncias conhecidas como intervalos2. Este intervalo é medido por tons e/ou semitons e fragmenta uma fundamental que comumente chamamos tônica em diversas variantes (2ªs, 3ªs,4ªs...). Um claro exemplo disso poderia se dar através da nota “C” (Dó)... Temos a fundamental C subdividindo-se em C#3 (2ª menor), D (2ª maior), D# (3ª menor), E (3ª maior), F (4ª justa), F# (4ª aumentada), G (5ª justa), G# (5ª aumentada), A (6ª maior), A# (6ª aumentada), B (7ª maior), B# (7ª aumentada), C (8ª justa).
O estudo da harmonia musical consiste justamente na utilização de escalas4 musicais, que são construídas visando uma sonoridade específica, através destes mesmos intervalos. Dentre estas teremos as maiores e menores (menor natural, menor harmônica e menor melódica)... Através do contexto criado por uma determinada sonoridade (progressão harmônica), podemos induzir à estados alterados de consciência onde a mente trabalha em frequências diferenciadas e eficientes na concepção de pensamentos, direcionamento de energias e da vontade. A escala de C (Dó maior) tomada como exemplo é constituída das seguintes notas: C D E F G A B.
Os mantras hindus sempre foram utilizados com este intuito (sigilização e alteração consciencial). Através da meditação e entoação de determinada “nota” musical somos capazes de elevar a mente consciente para além dos cinco sentidos ou empirismo...
Cada nota pode ser então relacionada a um determinado centro vital/chakra5 e assim obter um efeito específico dentro do organismo humano e fora dele(soma6, mente, corpo astral, energia, sensações). Se empregada com eficácia, a música (instrumento musical, voz, sonoridade) também poderá abrigar alguma forma de sigilo (palavras de poder, pictogramas) e ser usada em rituais, meditações, curas e encantamentos.
Cientificamente nada disso é comprovado e talvez tão cedo nem venha a ser, neste caso, como em inúmeras correntes de pensamento ocultista e holístico vale a experiência pessoal, para que possamos atestar estes fenômenos.
Irei atribuir algumas características e notas musicais aos 7 centros vitais/chakras do organismo humano:
- Chakra Coronário – Sarashara (7º Chakra: Localizado na parte alta da cabeça/Nota Musical B “Si”, Cores Branco, Dourado e Violeta); Funções: Ligação com energias sutis e outras dimensões. Desfunções: Neuroses, irracionalidade, desorientação, fobias, histeria, obsessão;
- Chakra Frontal – Ajna (6º Chakra: Localizado entre as sobrancelhas/Nota Musical A “Lá”, Mantra “Om”, Cor Azul); Funções: Intuição, percepção extra-sensorial, raciocínio lógico. Desfunções: Ganância, arrogância, tirania, rigidez, alienação;
- Chakra Laríngeo – Vishuddha (5º Chakra: Localizado na garganta/Nota Musical G “Sol”, Mantra “Ham”, Cor Ciano); Funções: Comunicação, criatividade, iniciativas, independência. Desfunções: Fracasso, apatia, desespero, limitação, medo, insegurança, submissão;
- Chakra Cardíaco - Anahata (4º Chakra: Localizado na região cardíaca/Nota Musical F “Fá”, Mantra Yam, Cor Verde e rosa); Funções: Sistema imunológico, amor próprio. Desfunções: Desilusão, pânico, depressão;
- Chakra do Plexo Solar - Manipura (3º Chakra: Localizado na boca do estômago/Nota Musical E “Mi”, Mantra Ram, Cor Amarelo); Funções: Personalidade, vitalidade, ação, vontade, auto-estima. Desfunções: Ansiedade, preocupação, indecisão, negligência;
- Chakra Umbilical - Svadhishthana (2º Chakra: Localizado na região do umbigo/Nota Musical D “Ré”, Mantra Vam, Cor Laranja); Funções: Reprodução, sexualidade, virilidade. Desfunções: Controle, desvio de sexualidade, solidão, ressentimentos, vingança, ciúme, inveja;
- Chakra Básico – Muladhara (1º Chakra: Localizado na base da coluna vertebral/Nota Musical C “Dó”, Mantra Lam, Cor Vermelho e preto); Funções: Sobrevivência e existência terrena, ligação com a matéria. Desfunções: Raiva, impaciência, apego excessivo, materialismo, vícios, morte;
O espectro musical de uma determinada nota funcionaria como um prisma voltado especificamente para o contexto sonoro e ambientação mental.
Usando sabiamente este aparato e fazendo um paralelo entre ocultismo e musicalidade, uma ferramenta poderosíssima é criada, e pode ser responsável pela evocação (entidades e/ou arquétipos de poder), banimento (limpeza de ambientes/mental) e conquistas ritualísticas (dos mais diversos tipos). O psicodrama7 se torna ainda mais poderoso e completo quando imerso em tal contexto... Os rituais ganham mais ênfase e a câmara ritual mais poder.
De fato a música é uma influencia extremamente significativa na vida do ser humano, mas normalmente isso acontece inconscientemente tanto por parte dequem compõe, quanto de quem escuta.
O ocultista quando imbuído de tudo isto, aliando as habilidades musicais e sua criatividade é capaz de lançar-se a um desafio ainda mais completo e gratificante... Para além de um momento individualista e solitário... É capaz de contextualizar egrégoras8 inteiras, assim como performances rituais sonoras... Abrir portais para outros mundos, dimensões, através de sua música...
Um outro exemplo da aplicação da música no ocultismo e vice-versa é o Ritual Gnóstico do Pentagrama. Esta é uma das práticas essenciais e básicas da IOT (Illuminates of Thanateros) e é uma adaptação dos tão já conhecidos Ritual Menor do Pentagrama / Ritual do Pilar do Meio (Golden Dawn/OTO)... No RGP primeiramente a intenção é a libertação de qualquer simbolismo pré-existente, afim de que o magista possa entrar em contato com o Self e assim obter o sucesso desejado em qualquer operação mágica.
Ele se inicia com a respiração profunda e mentalização de radiâncias em cinco centros vitais de nosso corpo (relacionados completamente com os chakras citados anteriormente). Cada radiância é acompanhada com a vibração de uma vogal e deve causar uma sensação específica no momento de sua entoação. As vogais são vibradas como mantras no momento da exalação (técnica conhecida como pranayama9) Conforme descrito em sua concepção: “O corpo deve ser tocado como um instrumento musical, com cada parte ressonando de acordo com um tom.”
Realizado tal processo, deve-se traçar em sentido anti-horário um pentagrama para cada um dos quatro cantos (Norte, Sul, Leste, Oeste). Ao concluí-los, deve-se novamente voltar ao início e entoar novamente as vogais.Segue o procedimento do ritual:
1) De pé, para qualquer direção que prefira.
2) Inspire profundamente. Exale lentamente, sustentando o som "I", enquanto visualiza uma energia radiante na região da cabeça.
3) Inspire profundamente. Exale lentamente, sustentando o som "E", enquanto visualiza uma energia radiante na região da garganta.
4) Inspire profundamente. Exale lentamente, sustentando o som "A", enquanto visualiza uma energia radiante na região do coração e dos pulmões, que seespalha para os membros.
5) Inspire profundamente. Exale lentamente, sustentando o som "O", enquanto visualiza uma energia radiante na região da barriga.
6) Inspire profundamente. Exale lentamente, sustentando o som "U", enquanto visualiza uma energia radiante na região entre a genitália e o ânus.
7) Repita o 6). Então o 5), 4), 3), 2), repetindo de trás para frente, até chegar à cabeça.
8) Inspire profundamente. Exale lentamente, repetindo o mantra IEAOU, enquanto desenha o pentagrama no ar, com o braço esquerdo. O pentagrama deve ser visualizado com muita nitidez.
9) Vire para o próximo quadrante e repita o 8), então, desenhe os pentagramas restantes com os mantras e as visualizações, até chegar ao ponto de partida.
10) Repita os números 2) até o 7), inclusive.
Notas:
1 Era Vulgaris; 2 O intervalo pode ser harmônico ou melódico, onde as notas são tocadas simultaneamente ou consecutivamente; 3 O sinal “#” (sustenido) corresponde ao acréscimo de 0,5 tom (semi-tom) na nota original; 4 Escala, do latim Scalla, significa escada. É o conjunto de sons sucessivos que mantém um padrão constante; 5 Chakra significa Roda em Sânscrito e representa um dos sete centros de energia do corpo humano dentro do Hinduísmo; 6 A parte não reprodutiva do corpo dos organismos vivos; 7 Via de investigação da alma humana mediante a ação; 8 Conjunção de pensamentos e energias provenientes de alguma fonte espiritual; 9 Vem do sânscrito e significa respiratório;

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