segunda-feira, 12 de março de 2012

IMPERII PECATTVM CVLTVM

Este espaço pode ser visto como um negro relicário em tributo aos sete pecados capitais, tão repudiados e renegados pelo homem, mas sem os quais a nossa atual existência seria ainda mais tediosa, monótona previsível... Aqui, serão apresentados os sete sublimes pecados sob uma ótica mais abrangente, despida de falso pudor ou moralismo hipócrita, e sim como os mesmos são realmente vistos e praticados, em detrimento aos retrógados e impostos dez mandamentos, que nada mais são que o reflexo da própria anti-natureza do homem, a sua auto-castração em relação ao seus verdadeiros instintos. Para abrir este seção, iniciarei com o pecado que particularmente mais idolatro, o delicioso e inefável pecado da LUXÚRIA! Segue abaixo o texto; portanto, evoquem os lascivos portais de Lilith e, sobre o sublime ventre e genitálias úmidas de Negra Mãe Lilith, adentrem ao mais obsceno e libidinoso Culto ao Império do Pecado!

LUXÚRIA
A história do surgimento do que conhecemos atualmente como os sete pecados capitais não teve sua origem dentro dos ditames da bíblia como muitos acreditam. Estes nasceram, na verdade, a partir de interesses éticos da igreja  ortodoxa. Os primeiros pensamentos a darem origem aos sete pecados como os conhecemos atualmente teriam tido início no ano de 375 d.c., quando um monge cristão fugiu das tentações da cidade romana de Constantinopla e se enclausurou num monastério no deserto egípcio. Seu nome seria Evagrius Ponticus, que durante seu período de isolamento, começou a catalogar seus pensamentos no monastério. Evagrius então começou a listar as tentações e, no final, criou uma lista que continha, em sua ótica, os oito pecados mais aterradores, estes sendo: Luxúria, Gula, Preguiça, Avareza, Ira, Soberba, Vaidade, e Tristeza.
Segundo a História, o pecado da Luxúria seria aquele com o qual o monge travava sua lutas mais duras, pois antes de seu isolamento no monastério, o monge teria mantido relações sexuais com a esposa de um dignatário romano. E, mesmo os monges basicamente não tendo quaisquer contatos com mulheres, a tentação sexual estava sempre presentes em suas vidas por conta da repressão celibatária a estes sentimentos. Então, para dispersar a tentação de suas mentes, os monges, além das habituais orações e jejuns, geralmente queimavam os dedos em suas lamparinas para que pensassem na dor ao invés de ceder ao desejo tentador. Dentro dos ditames bíblicos, o pecado da luxúria é frequentemente descrito de forma pejorativa com referências ao adultério e total descontrole perante os prazeres da carne. Em contraparte a isto, no mundo antigo, a Luxúria é venerada, como na cultura Hindu, cujas artes de vários de seus templos exibem inúmeras formas de posições sexuais, por exemplo, retiradas dos famigerados escritos eróticos chamados KAMA SUTRA. Neste manuscrito estão detalhados mais de 60 tipos de práticas sexuais em ilustrações e destacam a prática da prostituição, do sexo grupal, do sado-masoquismo e demais práticas de lascívia carnal.
E não haveria como não mencionar também a intensa presencia da Luxúria no Império Greco-Romano. Na Antiga Grécia, fronteiras e estradas eram demarcadas com várias colunas “decoradas” com pênis que recebiam o nome de “herma”, em homenagem ao deus grego da fertilidade, dos rebanhos, da magia, da divinação, estradas e viagens Hermes (Mercúrio na Mitologia Romana, e através da influência egípcia, sofreu um sincretismo também com Toth, criando-se o personagem de Hermes Trimegistro). As festividades em homenagem ao deus das festas e do vinho Dionísio (Baco para os romanos) eram celebradas com selvagens orgias sexuais em florestas, sendo que a palavra grega “orgia” vem a significar “ritual secreto”. Mas a pecado lascivo encontrara realmente seu ápice no Império Romano, deixando sua forte influência principalmente na arte, como na fúnebre cidade de Pompéia, uma riquíssima fonte da arte luxuriosa nas paredes de casas e templos fazendo referências a prostíbulos e preços variados dentro dos mesmos. O Império Romano literalmente respirava obscenidade carnal impura e lasciva na quintessência pecaminosa carnal, e que encontrou seu auge no império de Calígula (Gaius Julius Caesar Augustus Germanicus), por volta de 37 d.c.. Conta-se que Calígula exigia sexo de todas as mulheres mais atraentes de Roma, entre as quais incluía-se suas próprias irmãs. Além de ter também tornado parte de seu palácio em um bordel no qual forçava mulheres casadas do reino a se prostituirem apenas para satisfazer seus impetuosos desejos. Em 24 de janeiro de 41, Calígula foi assassinado pelos executores de uma conspiração integrada por pretorianos e senadores, liderados por Cássio Querea. É mencionado também que sua morte prematura (com 28 anos) seria um castigo dos deuses pelo abuso do poder da Luxúria por parte do Imperador.
No Império Romano a Luxúria tomou vida sob a forma da deusa da sexualidade Vênus (Afrodite para os gregos). Enquanto o panteão de deuses greco-romanos procriava naturalmente através do ato sexual (como está representado em inúmeras obras de Arte retratando cópulas e orgias entre os deuses), em contradição surgia na mesma época o cristianismo, que pregava o monoteísmo e trazia no livro do deuteronômio a lista dos dez mandamentos de servidão atribuídos a moisés. Há em especial dois mandamentos que condenam a Luxúria: não comter adultério e não cobiçar a mulher do próximo. Segundo consta, jesus teria enfatizado que o próprio fato de simplesmente olhar uma mulher com desejo e, neste caso, a pena seria a danação eterna nos confins do Inferno, embora na própria bíblia não haja uma descrição deste mencionado Inferno de perpétuas danações, agonias e torturas... Tal concepção de Inferno tornou-se realmente conhecida e aceita comumente como “verdadeira” através da obra “Divina Comédia”, escrita por volta de 1.320 d.c. por Dante Alighieri. Em sua obra, os fornicadores são condenados ao Segundo Círculo Infernal, no qual os condenados são atirados pelos ares incessantemente por ventos tempestuosos, simbolizando o poder tempestuoso da Luxúria; logo após, ele passa juntamente com Virgílio pelo purgatório, onde as almas condenadas queimam em flamas incandescentes, simbolizando a chama sexual incontrolável.
E também em contradição ao próprio cristianismo, dentro de seu meio se destaca um grupo peculiar de cristãos com práticas tidas como hereges pela igreja ortodoxa. Por volta de 325 d.c., um pequeno grupo de cristãos se reunia para celebrar a nudez em forma de sacramento: iniciava-se primeiro o ritual do desnudamento, logo após a unção em grupo, seguidos do próprio ato sexual entre o sacerdote e a sacerdotisa. A seita era chamada de “cartocrática”, parte do que é mais comumente conhecido como cristianismo gnóstico (da palavra grega “gnosis” que significa conhecimento). Um bispo chamado Epifânio do século IV detalhou sobre tais missas orgíacas: “elem entram em um frenesi entre si, sujam suas mãos com secreções e rezam totalmente nus”. Com os boatos sobre consumação de secreções e riituais de orgias circundando os meandros da igreja ortodoxa, a mesma reagiu prontamente: todos os escritos gnósticos foram queimados, os grupos gnósticos se dispersaram e tudo que restou é o que se sabe através dos escritos de cristãos ortodoxos anti-gnósticos.
Nesta mesma época, quando o Império Romano ruiu dando lugar a Idade das Trevas que suprimiu todas as formas de expressão voltadas a Luxúria, que Evagrius Ponticus desenvolveu sua lista de pecados, que continham originalmente oito tipos de tentações, mas tal lista apenas era conhecida pelos monges do mosteiro.  E foi somente por volta do ano 590 d.c. que a lista passou de oito para os sete pecados capitais como conhecemos hoje, através do reformador papa Gregório, que retirou a vaidade e a tristeza da lista original e adicinou a inveja, ficando a lista desta forma: Gula, Inveja, Ira, Soberba, Avareza, Luxúria e Preguiça, divulgando-os assim ao mundo cristão da época. Foi durante a sua reforma que a igreja ortodoxa travou uma intensa batalha contra o pecado da Luxúria: se até aquela época era uma opção aos padres poderem se casar, agora todos teriam de ser celibatários. Na verdade, isso nada mais foi que um estratagema para evitar que as propriedades da igreja passassem para os filhos de padres e bispos. O sentimento anti-hedonista predominava e o sexo somente serviria para a procriação. Também para se contraporem aos pecados, criaram a lista das “sete “virtudes” celestiais”(?!?!), sendo estas: temperança, castidade (o oposto da Luxúria), caridade, diligência, paciência, humildade, generosidade. Tal posicionamento anti-hedonista (até mesmo em casamentos) perduraria por mais de 1.000 anos, em rechaço a atos sexuais perfeitamente naturais em todas as suas formas, fosse o sexo entre duas pessoas, grupais, masturbação, artes reproduzindo nudez e sodomia, etc ...
Foi nessa época também que os pecados foram demonizados: segundo os “heregiólogos” da época, cada pecado seria ligado a um Demônio em particular. No caso da Luxúria, esta estaria ligada ao famigerado Demônio: Asmodeus, ou Aschmeday em hebraico (“O Destruidor”, ou “O Senhor que Julga”), derivada da negra deidade persa chamada “Aeshma Daeva”. Uma de suas primeiras aparições é mencionada no talmud no livro de Tobias, relatando que este Demônio toma posse do corpo e da alma de uma linda e aparentemente frágil donzela chamada Sara e que, através dela, a forçou a matar sete de seus pretendentes.  A bíblia também aponta ainda a relação de Salomão com Milcom, Moloch, Astaroth e o próprio Asmodeus que, segundo alguns grimórios, o teriam ajudado na construção do templo de israel, mas deste tópico trataremos em outro texto... Segundo grimórios da época como o próprio “As Clavículas de Salomão”, este soberbo Príncipe Infernal podia ser evocado e forçado para realizar os mais diversos tipos de desejos e ritos sexuais e realizar atos sexuais com sedutoras demônias Succubus, enquanto estas sugavam a energia vital de sua vítima humana durante a cópula, até deixá-la totalmente exaurida.
Nessa época também era muito comum a prática do exorcismo sobre pessoas que estivessem supostamente possuídas por entidades demoníacas, em especial aos demônios relacionadas com os sete pecados capitais. Então, para identificar uma pessoa possuída, alguns sinais de possessão foram instítuidos, como: falam em linguagem estranha e/ou desconhecida, habilidade e forças sobrenaturais, aversão a tudo que seja considerado “sagrado”, blasfêmias, heresias e sacrilégios em abundância, entre outros. Além disso, em aproximadamente no ano de 1.213 d.c., a igreja agregou outro detalhe em relação ao pecado: nascia aí o ato de confissão. Era exigida por parte da igreja que seus fiéis se apresentam pelo menos uma vez ao ano para confessar seus pecados nos mínimos detalhes, orientados a usar como base a lista dos sete pecados capitais. Ainda assim, os sete pecados tornaram-se parte da cultura popular por toda a Europa, sendo esculpidos em templos, desenhados em altares, pintados em bíblias, e ilustravam poesias e epopéias...
Já no século XVI, houve a cisão que viera para abalar o mundo cristão: era o surgimento da reforma protetante, dividindo o cristianismo entre católicos e protestantes. Os protestantes eram contrários ao ato de confissão, mas mantinham uma aversão particular pelo pecado da Luxúria. Durante esse tempo, uma seita de cristãos chamados “os puritanos”, por terem como objetivo criar uma forma de religião mais pura, fugiram da efervescente e hedonista Europa para as terras da América do Norte com o propósito de criar sua própria colônia com base na sua forma de religiosidade puritana; ou seja, um lugar onde o pecado não seria de forma alguma tolerado. Por volta de 1.620 d.c. , os puritanos chegaram a Plymouth em Massachussets; e em seu rígido código de leis, o pecado da Luxúria ocupava o lugar de destaque, a figura central. Em suas colônias, cometer o pecado da Luxúria levava a graves punições: mulheres, por exemplo, eram obrigadas a carregar até o dia de sua morte a letra “A” pendurada no pescoço. Já com puritanos flagrados em atividades fora do casamento enfrentavam o açoitamento e humilhação pública; já no caso de puritanos flagrados em meio a atos de sodomia e zoofilia, a punição era a morte. Aqui se encontra claramente a forma de rechaço à Luxúria em sua forma mais vergonhosa, misógina, repugnante e hipócrita em meio a tantos outros grupos que tenham em comum tais “ideais” voltados a totalitária anti-natureza do ser. Ainda assim, mesmo com todas as formas de repressões que tentam suprimir este delicioso pecado, o mesmo através das Eras jamais fora vencido ou suprimido. Ainda que por volta do ano de 1.800, marcado pelo era vitoriana na qual predominava o puritanismo e repressão sexual. As leituras dessa época tratavam a Luxúria como algo insano e anormal. Práticas sexuais como o adultério, a prostituição e o sexo grupal permaneceram no anônimato. Tal repressão somente foi sendo eliminada com a virada do século XX, que foi como o renascimento triunfal para a ascensão do império lascivo juntamento ao avanço tecnológico e a urbanização. Dançarinas de cabarés, por exemplo, trouxeram uma nova imagem mais sexy, liberal e lasciva da mulher da virada do século. A pípula anti-concepcional nos anos 50 também veio para revolucionar o mundo da luxúria. Também nos anos 60 movimentos subversivos e contra-culturais trouxeram uma nova era de revolução liberal para um mundo retrógado. Claro que esta revolução contra-cultural, que também envolvia Sexo, Drogas e Rock’n Roll se espalhava pelo mundo, visto que aqui no Brasil a ditadura e o governo despótico estavam a oprimir quaisquer movimentos subversivos e revolucionários que viessem a se erguer. Virtude e Vício se misturam e se confundiam em meio a uma revolução liberal que tomava o mundo de assalto nos anos 60. E assim permanece até os dias atuais o império da Luxúria inabalável e cada vez mais sedutor, quebrando tabus retrógados provocados por falsos moralismos impostos pela morta era monoteísta.
Portanto, torne todos os dias o “Onírico Império de Tentações Ilícitas” algo real em sua vida e aproveite-o em sua real e mais libidinosa quintessência lasciva! Ergam vossos cálices rituais perante a Lua de Negra Mãe Lilith que prateia as cópulas insanas de seus cultuadores degenerados e depravados e glorifiquem a “Nefasta União, Ímpia Comunhão, entre Lilith e Samael/Que entre escárnios e tórridos orgasmos, copulam em sua profana Lua de Féu/Procriando arcaicas Legiões de Demônios que o mundo por eras teme e renega/ E o fruto proibido da Serpente, uma vez tocado e provado, com o pecado original impregnará nossas negras almas com sua lasciva magia etérea”. Sem culpa, sem falsos moralismos, sem castidade hipócrita! Que o império lunar de depravações e obscenidades continue a ascender, tentar e corromper os corações puritanos. Que assim seja!

AVE LILITH IN AETERNAM GLORIAM VOBISCVM!!!

* "Luxúria - Amor Livre? mais do que isso‚ SEXO LIVRE! O Sexo é uma das maiores motivações da história e um dos maiores instintos presentes em cada ser humano. Se você está casado isso é um acordo mútuo. Solteiros aproveitem, casados aproveitem, ou com sua esposa ou então se separe e faça o que realmente quer, mas não desrespeite sua companheira. O que deve haver é um acordo entre todos os participantes, não importa quantos forem, sobre o ato sexual. É esta a razão para que o estupro, a zoofilia e a pedofilia sejam tratados com repugnância pelo satanista, afinal nesses casos a contra-parte do ato sexual ou não está a favor da realização ou é inocente a ponto de ser enganada para tal propósito." (* por Morbitvs Vividvs em seu livro "Lex Satanicus"). http://www.mortesubita.org/satanismo/livros-satanicos/manual-do-satanista/advogado-do-diabo

domingo, 11 de março de 2012

CODEX GIGAS – A BÍBLIA DO DIABO

Codex Gigas (Latim para o Grande Livro ou Livro Gigante) é considerado o maior manuscrito medieval existente no mundo. A relíquia possui 92 cm de altura, 50,5 cm de largura e 22 cm de espessura, 75 kg e, atualmente, escrito em tinta de ninhos esmagados de insetos, e constituído por 310 folhas de velino (uma espécie de pergaminho, e neste caso feito a partir de pele de vitelo, ou jumento), o que daria um número de 160 animais para a elaboração do livro.
Este, que um dia já fora considerado também como a oitava maravilha do mundo, contêm em sua história toda classe de catástrofes, fatos bizarros, e um magnetismo sobrenatural sobre aqueles que de alguma forma, tiveram contato com este manuscrito. Exemplos claros seriam os poderosos do século XIII, século em que foi criado, que se tornaram obcecados e atormentados pelo livro durante o tempo em que ficaram em posse dele. Por ele, obstinadas buscas e perseguições por sua posse foram levadas a cabo, estas sendo inclusive comparáveis à buscas como as dos verdadeiros  Livro de Toth, e do graal.
Em seu interior, trás antigos sortilégios, curas medicinais, fatos históricos da época, e é um único livro que contem o velho e o novo testamento juntos. Mas o verdadeiro “chamariz” deste manuscrito é a famigerada e enorme figura do Diabo em uma página inteira. Sendo o mesmo supostamente escrito inteiro por um monge beneditino condenado num monastério em Podlažice na Boêmia (atual República Tcheca), é intrigante que tal figura se encontre ali presente de forma tão detalhada e numa época de intensas perseguições por parte do despótico clero, e o que se tem até hoje são somente mitos e especulações em torno deste fato como será visto mais adiante.
Recentemente, o mesmo fora devolvido, a título de empréstimo, a cidade de Praga sendo que, ao fim Guerra dos Trinta Anos, o livro fora saqueado pelo exército sueco juntamente com o restante da coleção de Rudolf II, e desde então o mesmo se manteve na Suécia, na Biblioteca de Stockolmo até 2007. Em 24 de Setembro de 2007, ele foi levado a Praga e ficou em exposição na Biblioteca Nacional Tcheca até Janeiro de 2008.
Abaixo, estão alguns fragmentos sobre este mistificador, enigmático e misterioso manuscrito que até os dias atuais desperta reações adversas e uma intensa curiosidade em torno do mesmo, carregando consigo uma áurea magnética, sobrenatural e obscura envolta de fatos históricos marcantes e bizarros, nos quais eras e impérios decaíram perante a sua simples e genuína existência...

A Obscura Saga

A história do Codex Giga se inicia no ano de 1.230 num longíquo monastério na Boêmia. Segundo consta, um monge beneditino, que pertencia a uma ordem monástica conhecida como “os monges negros”, havia quebrado seus votos monásticos e, que por conta disso, estava a ser punido pelo alto conselho dos monges negros. Os monges negros usavam trajes negros a fim de simbolizar o luto ao mundo terreno, e entre seus votos mais fervorosos, incluíam-se: votos de pobreza, castidade, obediência irrestrita, e os mais terríveis suplícios em nome de “deus” como auto-flagelação, vestirem-se com roupas infestadas de pulgas, privação de sono, intensos jejuns, entre outros atos de “devoção” (ainda hoje existem seitas católicas que seguem estes mesmos “princípios”, como a conhecida “opus dei”). O ato pecaminoso cometido pelo monge parece ter sido algo realmente estarrecedor para a época, pois até hoje não se sabe o que motivou sua punição. Punições estas que incluíam: confinamento em solitária, excomunhão, fome e até mesmo a morte.
E, no caso deste monge, sua punição seria a morte na qual ele seria emparedado vivo. Num ato de desespero, ele suplica pela sua vida e promete o impensável aos seus superiores: dizendo ter tido uma inspiração divina, ele promete escrever o maior livro daquela época, que iria conter o velho e o novo testamento, além de todo o conhecimento humano para glorificar sua irmandade. E a fim de honrar a promessa feita, ele promete escrever este livro em uma só noite. Isso faz com que seus superiores zombem de sua promessa, mas, perante a grande insistência do monge, eles lhe cedem o direito de realizar tal ato, deixando bem claro o que lhe aconteceria caso a promessa não fosse cumprida...
Então, o monge começa a escrever sua obra incansavelmente página após página. Mas, com o passar das horas, o monge começa a se desesperar percebendo que ainda falta muito para a finalização do livro. E, percebendo que não conseguiria concretizar sua obra sozinho e até a manhã seguinte, quando chega à meia noite, ele faz uma oração não destinada a deus, ao qual devotou sua vida, mas sim ao Opositor: Satanás. Que, atendendo ao seu chamado, faz com que o monge concretize esta obra colossal guiado pela mão de Satã.
Daí a justificativa para a hipnótica ilustração do Diabo na página 290, medindo cerca de 50 cm de altura, como uma espécie de “homenagem” a este tão temido e incompreendido “co-autor”. Assim, caso seja verídico tal fato, pode-se dizer que o monge foi um verdadeiro escriba da escuridão inspirado por Satã a materializar este manuscrito que viria a causar tantos episódios históricos e violentos durante o tempo em que passou a ser uma real obsessão para aqueles que dele se apoderaram.

O Codex Gigas pelo Mundo

Para entender melhor toda essa áurea mítica e obscura que envolve a Bíblia do Diabo, é preciso entendermos também o ambiente no qual o mesmo foi criado. Na Idade Média, e aqui mais exatamente no século XIII, fora uma época afligida por Guerras, desastres naturais, peste, e com isso superstições paranóicas e atormentadoras, incluindo-se aí o ápice do cego fanatismo religioso. E foi justamente em meio a este capítulo enegrecido da história humana que o Codex Gigas atuou como a cobiçada relíquia dos poderosos ambiciosos, e também como o portador da reclusão, obstinação e conseqüente ruína dos poderosos, seus reinos e conquistas.
Ao final do século XIII, muitas décadas haviam se passado desde que a lenda sobre o monge que vendera sua alma ao Demônio para concretizar sua obra escrita fora conhecida pela Europa. Mas, a ordem que o possui nessa época se encontra a beira da falência. Então, para evitar uma catástrofe financeira, o monastério dos monges negros concorda em vender o Codex Gigas a uma fraternidade que, ironicamente, chamavam-se “os monges brancos”. Nesta época, ter em mãos a obtenção deste livro trazia status de honra, poder e prestígio entre os demais.
Sendo assim, o Codex Gigas é levado de Praga para o monastério dos monges brancos na cidade de Cedrec, onde o guardam cuidadosamente próximo a um cemitério sagrado que acredita-se que fora a terra do calvário, e onde no passado fora Golgota, onde jesus havia sido crucificado.
Coincidentemente ou não, pouco tempo depois da chegada do livro, aqueles que cuidavam do Codex Gigas ficaram em total ruína; assim, o bispo ordenou que o livro fosse devolvido imediatamente aos monges beneditinos. Mas, em seguida, o monastério dos monges brancos é afligido por uma das mais devastadoras e perturbadoras tragédias da história humana: a peste bulbônica, ou peste negra. A mesma se espalhou pelas regiões vizinhas, matando centenas de milhares de pessoas. Nessa época, a paranóia tomava conta do povo: médicos se recusavam a atender os doentes, e fanáticos religiosos clamavam em meio a loucura que isso seria um castigo de seu senhor. Há relatos ainda de famílias que renegaram seus entes queridos por pavor em relação a contagiosa doença, deixando-os morrer a esmo e inúmeros cadáveres não eram enterrados.
O cemitério ficara cheio de cadáveres, e conta-se que, ao final da peste epidêmica, o total de mortos totalizava cerca de mais de 30.000 cadáveres. Assim, o local fora transformado em uma catacumba.

O próximo capítulo sobre o poder atribuído ao Codex Gigas ocorre agora na Áustria, no ano de 1.565. O então príncipe da Áustria Rudolf II (18/07/ 1552 – 20/01/ 1612), está à espera da elaboração de seu horóscopo astral pelas mãos do alquimista, astrólogo, profeta francês e farmacêutico Miquèl de Nostradama (Michel de Nostredame), mundialmente conhecido como Nostradamus. Assim que é finalizado seu horóscopo astral em um mapa quadro, este previa a morte de seu pai e também sua posterior ascensão ao trono como Sagrado Imperador Romano.
O fato é que, após receber as previsões de Nostradamus, a mesma serviu como vazão para a obstinação de Rudolf II pelo Ocultismo. A essa altura, as histórias a respeito do Codex Gigas já haviam se espalhado pela Europa, e sendo assim Rudolf II cobiçava intensamente este famigerado livro. Então, aproximou-se dos monges negros em Praga, e ajudava-os com generosas doações financeiras, presentes, favores e demais artifícios, como uma ávida estratégia para a obtenção do livro que estava em poder dos monges. Rudolf II obteve sucesso em seu estratagema e os monges beneditinos cederam o livro a ele como um presente pelas ajudas ofertadas.
Após se apoderar do livro, ele convoca especialistas em seu reino para dedicarem-se exclusivamente as traduções das páginas do livro, inclusive a página na qual se encontra a figura do Diabo. Mas com o tempo, sua sorte mudaria ao revés. Não muito tempo depois da obtenção do livro, o rei torna-se uma pessoa anti-social, misantropa, paranóica e passa longos períodos isolado e recluso em seus aposentos, tamanha sua obsessão pelo artefato adquirido, além de se abater sobre ele fortes crises de melancolia, para a qual sempre teve uma tendência desde a infância. Seu reinado não demora a entrar em franca decadência, e ele se torna incapaz de reinar, perdendo o direito a coroa e expulso do trono por sua família. Rudolf II faleceu com seu reinado em ruínas, solteiro, e sem deixar herdeiros para que levassem consigo seu bom nome.

No ano de 1648, o exército sueco saqueia a biblioteca de Rudolf II localizada em Praga e vários espólios de guerra, levando também o Codex Gigas, talvez o único bem precioso ainda restante do ex-reino do falecido rei. De Praga, o livro é levado em um veículo gigante até a cidade de Stokolmo, na Suécia, à quase 1.500 km de Praga. O plano dos monarcas era apresentar o Codex Gigas à sua soberana, a Monarca Cristina, que na época fora a rainha reinante da Europa.
Até então, Cristina tinha 22 anos, e conta-se que, no dia em que nasceu, foi proferido que se ela sobrevivesse até a noite, ela estaria destinada à majestade. Seu pai, o rei Gustavo II, já havia tido dois filhos homens falecidos e, assim que Cristina nasceu, ele jurou educá-la, tratá-la e vesti-la como um homem para herdar o trono. E assim o fora: passada toda sua juventude em obediência à caprichosa extravagância de seu pai, até mesmo no dia em que fez o juramento como monarca, ela o fez como um rei, e não como rainha.
Assim que seu exército leva a ela o Codex Gigas, ela se vê fascinada com o colossal manuscrito, e ordena que o mesmo seja colocado como o livro principal na biblioteca de seu castelo entre os livros mais preciosos de seu catálogo. Mas, como já se esperava, mais uma reviravolta ocorre logo depois que Cristina apoderou-se dele.
Por motivos até hoje nebulosos e desconhecidos, em menos de uma década Cristina abdicou ao trono, converteu-se ao catolicismo e levou todos os bens valiosos que possuía com o objetivo de exilar-se em Roma. Curiosamente, o Codex Gigas foi o único livro que Cristina e seus súditos deixaram para trás...
E por lá o livro permaneceu por aproximadamente 50 anos. Não se sabe ao certo o que ocorreu em meio a todo esse tempo, mas sim o que aconteceu após este: em 1697, já sob o reinado do recém-falecido rei Charles XI, sem nenhum motivo aparente ou lógico o castelo é tomado por um incêndio. A família real entra em desespero levando às pressas tudo que conseguem recuperar, como bens materiais valiosos, os restos mortais do rei e boa parte da biblioteca. Por pouco o Codex Gigas não fora reduzido a cinzas neste incêndio, mas um servo conseguiu recuperá-lo e atirá-lo por uma das janelas do castelo, preservando assim a famigerada obra.
O incêndio teve proporções catastróficas, e aqueles que estavam responsáveis por impedir que o incêndio se alastrasse foram punidos severamente sob tortura em meio a um verdadeiro massacre.
Este é um dos últimos eventos conhecidos em torno deste mítico e sorumbático livro, pouco se sabe o que ocorreu depois, até que fosse levado à Biblioteca de Stockolmo, onde se encontra atualmente. Mas aqui fica nítido o porquê deste livro causar ainda tanta curiosidade e furor em torno dele até os dias de hoje, como levar inúmeras pessoas à Biblioteca Nacional Tcheca no dia de sua exposição e se tornar manchete de jornal na mesma ocasião. Deixando bem claro para nós algo que o homem comum tenta desesperadamente reprimir, mas nunca conseguiu de fato esconder a verdade irrefutável: o seu eterno fascínio e interesse pelo Demônio.

O Codex Gigas sob a ótica da Ciência

Nos últimos anos, vários especialistas também têm voltado sua atenção à Bíblia do Diabo. Sob os estudos e visões céticas e meticulosas voltadas a ele por parte da ciência, descobertas intrigantes e reveladoras foram feitas na Suécia por especialistas em escrita, pergaminhos antigos, entre outras qualificações. A maior parte desses estudos foram realizados na Biblioteca de Stockolmo, sob forte vigilância dos responsáveis por guardar o manuscrito.
Após várias e minuciosas análises forenses, testes e diversas especulações, a “dissecação” deste extraordinário artefato pelas mãos periciais científicas trouxe revelações concretas e até mesmo conclusivas em relação do que seja mito e do que há de verdadeiro em toda história que circunda a existência do livro. Entre estas descobertas, chegaram-se as seguintes conclusões:

 - Comprovou-se que o Codex Giga fora totalmente escrito por um único autor e com tinta de ninhos esmagados de inseto. Pois na era medieval, os tipos principais de tinta usados pelos monges eram desse tipo e as tintas feitas de metal. E cada monge possuía sua técnica específica de escrita e não costumavam misturar tintas em seus escritos. Então, baseado nisso e também na consistência caligráfica, reafirma-se a tese de que todo o manuscrito fora redigido por um único autor.

 - Concluiu-se, numa reconstituição exata baseada na escrita do século XIII (utilizando-se de um pergaminho do mesmo tamanho encontrado no livro e escrito com uma pena), que o tempo estimado para o término de um livro como este por um só escriba seria de aproximadamente 5 anos. MAS isso se o escriba o escrevesse sem quaisquer tipos de intervalos que fossem: na reconstituição, provou-se que, sob tais circunstâncias, uma linha seria escrita em 20 segundos, uma coluna em 30 minutos, e uma página em uma hora. Pois, para organizar o livro todo, isso incluiria aproximadamente mais 5 anos. E a de se levar em conta também: a elaboração de iniciais decoradas, os detalhes em todo o livro, as correções, e até mesmo suas atividades cotidianas para com o monastério, atividades essas que deviam ser cumpridas rigorosamente. E os monges tinham permissão para escrever somente uma certa parte de seu tempo, para que isso não influenciasse em suas atividades na irmandade. Somando-se tudo isso, levaria entre 25 e 30 anos para um livro dessa magnitude ficar totalmente pronto. Fora também as condições e ao ambiente do século XIII na época (pouco conforto, sem iluminação, tudo isso influiria nas condições físicas do monge...), e também é sabido que, para os monges condenados, escrever livros e textos seria uma forma de expiar os seus pecados perante sua ordem monástica. E o interessante no Codex Gigax é a ênfase que se dá em textos que tratam no tocante a assuntos como: cuidar e proteger exaustivamente do corpo, da mente e da alma. Então, além de reforçar a tese do livro ter sido redigido por um único autor, o mito sobre a lenda do Demônio guiando o monge para que o mesmo terminasse sua obra em uma noite cairia por terra aqui para os mais supersticiosos. Mas, então, de onde surgiu tal lenda??

 - Há de se lembrar que a paranóia e o pavor perante o simples mencionar do nome da Besta era capaz de causar as mais bizarras histerias e as mais fantasiosas histórias, e conseqüências graves a quem fizesse qualquer tipo de menção ao mesmo. E justamente tomados por pensamentos supersticiosos que muitos se perguntam: por que somente a página contendo a figura de Satã aparece com traços nítidos de queimado, por conta do incêndio que ocorreu em Stockolmo em 1697? Pois é realmente curioso que nas demais páginas não existam traços de tinta derretida, e nem mesmo as bordas quebradas ou curvadas... Para os mais supersticiosos, este é um claro sinal de influência demoníaca. Mas, segundo a análise científica, tal sombra nesta página não seria nada mais do que um efeito causado pela luz: pois, devido a exposição aos raios ultra-violetas sobre o pergaminho que era feito de pele de animais, isto produzia uma poderosa atração resultando na sombra sobre esta página. A razão específica para ser exatamente nesta página que tal efeito aparece seria simplesmente que esta página fora a mais contemplada do que qualquer outra e, portanto, fora a mais exposta, ficando então mais suscetível aos efeitos da luz.
De qualquer forma, esta ilustração chega a ser incomum e mesmo excêntrica, vista que é diferente em diversos aspectos: além do aspecto amador do desenho, nesta figura Satã aparece preso e como que pronto para atacar, e não presidindo um Inferno imerso em labaredas e enxofre como era comum se ver nas pinturas medievais. Ainda que influenciada pela visão cristã, já que traz todos os clássicos elementos dessa “demonização”: os chifres, a pele escamada, as garras e os cascos com aspectos tortuosos e grotescos,... E é também no Codex Giga o único livro no qual aparece a figura do Diabo junto à conjurações demoníacas, nunca encontradas em nenhuma outra bíblia ou outro texto bíblico conhecido. Nesta mesma página, é descrito um ritual de conjuração demoníaca bem detalhada que, para os especialistas, mais se parece uma espécie de “auto-exorcismo”, como seu o próprio autor estivesse tentando se redimir e expurgar-se totalmente de seus Demônios interiores. A conjuração é descrita como: o possuído em seu leito recebendo as ditas conjurações, enquanto o sacerdote, mantendo-se de pé, realizando uma série de liturgias fazendo o sinal da cruz sobre o possuído, ousa chamar o Demônio pelo seu próprio nome, e suas hostes infernais por seus nomes latinos. Ele conta a história de jesus, seus anjos e discípulos durante o ritual de conjuração e, ao final, ordena que os espíritos malignos libertem o “cordeiro de deus”.  Na época, eram comuns práticas de conjurações e exorcismos àqueles que se diziam afligidos e, segundo relatos da época, eram de fato terríveis.
Sendo assim, tudo leva a crer que sim, principalmente esta parte do livro fora escrita por um monge solitário pagando sua penitência numa espécie de auto-conjuração para se purificar diante de sua irmandade, mas isto ainda não explica a famigerada e hipnótica figura do Diabo, e nem revela o enigmático autor de tal façanha. Então, quem seria o recluso autor de tal obra atemporal que se manteve inabalável ao tempo, às tragédias e as interpéries em torno do mesmo?

Conclusão

De fato, chegou-se a conclusão que a obra toda fora concretizada por um único escriba pelas exaustivas pesquisas dos investigadores forenses baseados na escrita regular, espaçamentos, padronizações, ilustrações, entre tantos outros detalhes.  Agora, permaneceria para sempre o autor de tal obra para sempre nos recônditos mais sombrios do anonimato?  Bem, aqui, iremos por partes.
Após a descoberta acima, descobriu-se também que a lenda em torno do nome “A bíblia do Diabo” pode girar em torno de uma interpretação errônea com uma única palavra latina encontrada no livro chamada: “inclusus”, que significa “inclusão”, ou “reclusão”. Ou seja, seria a escolha de um monge ter escolhido passar a sua vida isolado e em reclusão em seu monastério para a realização de sua grande obra, no caso, a realização do Codex Giga. E, passando-se os anos, os povos passaram a interpretaram-na como uma forma de punição da época, no caso, a de ser emparedado vivo, como fora descrito no texto. E mal entendido o qual, pra variar, a igreja não fez questão alguma de desfazer (qualquer alusão a interpretações bíblicas duvidosas que houveram em relação a nomenclaturas como Lúcifer e Satã aqui NÃO é mera coincidência...) E mesmo no Codex Cigas, NÃO EXISTE QUALQUER MENÇÃO ou prova de que o tal monge tenha agido ou pensado de forma contrária aos princípios de sua irmandade ou aos seus votos eclesiásticos. Provavelmente a igreja católica assim difamou o livro por conta da famosa figura do Diabo, como se já não tivessem milênios de escândalos sexuais, genocídios, estupros, doenças, alianças nazi-fascistas, corporações multibilionárias, e casos de pedofilia para encobrir, para se preocuparem em criar polêmicas com uma singela figura assustadora antiga em um livro...
E, já que o livro fora feito por um monge beneditino, o porquê da figura do Diabo? O que fica claro ali é o contra balanço, a luta do bem contra o mal, vista é claro, sob a ótica clerical da época, o que não deixa de ser interessante as formas como são expostas as gravuras por exemplo, exemplificando as batalhas infernais do bem contra o mal, como em seu último solo de batalha, e as duas últimas escolhas cedidas à humanidade.
Por fim, após minuciosos exames, numa lista na parte final do livro é encontrado um nome em um crédito póstumo, que levaria a crer quem seria o autor deste manancial, mas isto não passa de outra especulação. Nesta lista, ao final do livro, é encontrado o nome: Hermanvs Monarcvs Inclvsvs. Que na prática poderia ser: Herman, o monarca recluso. Ou seja, o monge que quis passar a vida sozinho isolado em seu monastério para devotar-se a realização da maior criação de sua vida. 
Mesmo com tantos ilustres protagonistas como poderosos reis, monarcas e imperadores, nenhum deles foram tão expressivos em sua história como o próprio autor anônimo do Grande Livro quanto a sua própria lendária e famigerada obra: o Codex Gigas.